terça-feira, 29 de maio de 2012
Graça Pina de Morais - a gentileza é sem dúvida uma qualidade da alma.- A Mulher do Chapéu de Palha
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SONETO DE AMOR
Tantos passaram pelo teu caminho
Antes que fosse a hora de eu passar
Que tenho a dor de me não ver sozinho
Na memória fiel do teu olhar.
Nenhum te disse frases de carinho,
Nenhum parou, talvez, para te amar...
E vão perdidos no redemoinho
Da Vida e nunca mais hão-de voltar.
Para ti, nenhum foi o mesmo que eu...
-- Mas porque a tua vista os abrangeu
Mesmo sem alegria, amor ou fé,
Deles alguma cousa em ti existe
-- Alguma cousa que me deixa triste
Porque não posso adivinhar o que é!...
Tantos passaram pelo teu caminho
Antes que fosse a hora de eu passar
Que tenho a dor de me não ver sozinho
Na memória fiel do teu olhar.
Nenhum te disse frases de carinho,
Nenhum parou, talvez, para te amar...
E vão perdidos no redemoinho
Da Vida e nunca mais hão-de voltar.
Para ti, nenhum foi o mesmo que eu...
-- Mas porque a tua vista os abrangeu
Mesmo sem alegria, amor ou fé,
Deles alguma cousa em ti existe
-- Alguma cousa que me deixa triste
Porque não posso adivinhar o que é!...
João de Barros
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GATO
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Alexandre o'Neill
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Imposicão -- Os grandes livros são aqueles que nos forçam a escrever.
AS TIME GOES BY
Como o tempo passa
enquanto ficamos sós...
Passamos nós pelo tempo
ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois à taça
o que, afinal, sou eu só
-- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.
Como o tempo passa
enquanto ficamos sós...
Passamos nós pelo tempo
ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois à taça
o que, afinal, sou eu só
-- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.
Fernando Tavares Rodrigues
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domingo, 27 de maio de 2012
CONDIÇÃO
Não há deus que resista à iniquidade dos homens.
Não há deus que resista à iniquidade dos homens.
A PALAVRA
Só conheço, talvez, uma palavra.
Só quero dizer uma palavra.
A vida inteira para dizer uma palavra!
Felizes os que chegam a dizer uma palavra!
Só conheço, talvez, uma palavra.
Só quero dizer uma palavra.
A vida inteira para dizer uma palavra!
Felizes os que chegam a dizer uma palavra!
Saul Dias
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José Bacelar - O «homem» de todos os tempos acaba sempre por surgir por debaixo de todas as ideologias. - Arte, Política e Liberdade
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H. D. Thoreau
sábado, 26 de maio de 2012
John Galsworthy - Um homem pode vacilar durante semanas e semanas, consciente, subconscientemente, mesmo em sonhos, até que chega um momento em que a única coisa impossível é continuar a vacilar.- O Primeiro e o Último
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Raymond Macherot
GOESA
Tudo era atravessado por um rio de memórias
E brisas subtis e lentas se cruzavam
E enquanto lá fora baloiçavam
Os grandes leques verdes das palmeiras
Uma rapariga descalça como bailarina sagrada
Atravessou o quarto leve e lenta
Num silêncio de guitarra dedilhada
Tudo era atravessado por um rio de memórias
E brisas subtis e lentas se cruzavam
E enquanto lá fora baloiçavam
Os grandes leques verdes das palmeiras
Uma rapariga descalça como bailarina sagrada
Atravessou o quarto leve e lenta
Num silêncio de guitarra dedilhada
Sophia de Mello Breyner Andresen
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quase que os pude ouvir
DE CORPO INTEIRO
Para o Eduardo Lourenço
Era só não amar que não podia
o rio certas cidades ruas a infância
e a espanha de george orwell e outra frança
línguas mortas e estrelas que nasciam
despedaçado em quantas não sabia
partes de si de corpo inteiro ou campos
onde o mundo flutuava ao fundo e em branco
de novo na distância desabrida
que os dias idos sem fim iam rasgando
de regresso à sua frente enquanto havia
em cada rio sempre outra encruzilhada
lá onde morria o seu amor de tanto
querer sem resto arder em quanto amasse
pois era não amar que não podia
Para o Eduardo Lourenço
Era só não amar que não podia
o rio certas cidades ruas a infância
e a espanha de george orwell e outra frança
línguas mortas e estrelas que nasciam
despedaçado em quantas não sabia
partes de si de corpo inteiro ou campos
onde o mundo flutuava ao fundo e em branco
de novo na distância desabrida
que os dias idos sem fim iam rasgando
de regresso à sua frente enquanto havia
em cada rio sempre outra encruzilhada
lá onde morria o seu amor de tanto
querer sem resto arder em quanto amasse
pois era não amar que não podia
Miguel Serras Pereira
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João Pedro de Andrade - Luís contava anedotas pícaras sem dizer uma palavra menos correcta. As mulheres guinchavam de gozo, encostavam-se-lhe aos ombros gemendo de prazer, até que ele, com uma palavra cortante, as punha a distância, como quem recusa a um cão o bolo com que o atraiu. - A Hora Secreta
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Café
Espiral de energia
Explosão silenciosa
Do prazer
Espiral de energia
Explosão silenciosa
Do prazer
Yèvre-le-Châtel
26 de Junho 90
Alberto de Lacerrda
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Alfred Musset - Sei muito bem que neste mundo há calamidades que eu não poderei evitar; lamento as que não conheço, mas se sei de alguma devo tentar minorá-la. Por mais que faça, é-me impossível ficar indiferente perante a dor. - Mimi Pinson
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CONSOLO NA PRAIA
Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te -- de vez -- nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te -- de vez -- nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
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sexta-feira, 25 de maio de 2012
Albino Forjaz de Sampaio - Pratica sempre o crime, consciente, reflectido, dissimulado. Sê sempre mau e faz sugerir aos outros que és bom, sê sempre torpe dizendo-te honesto. Nada de violências. Hipócrita, cauteloso e subtil, conseguirás tudo, serás tudo, terás tudo. Uma hora de amor duma casada, uma condecoração, um emprego, a confidência dum segredo que compromete, dum vício que aviltece. - Palavras Cínicas
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Fernando Assis Pacheco
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Amanhãs que cantam. Para lá, Tomorrow never knows, última faixa do cd dos Beatles, Revolver; para cá, ponho a tocar Tomorrow Is the Question, de Ornette Coleman. Temas gravados em 1966 e 1959, respectivamente. Ouvir hoje música de ontem, sendo ainda hoje música de amanhã.
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Luís de Camões
Foi já num tempo doce cousa amar,
Enquanto me enganava a esperança;
O coração, com esta confiança,
Todo se desfazia em desejar.
Oh! vão, caduco e débil esperar!
Como se desengana uma mudança!
Que, tanto é mor a bem-aventurança,
Tanto menos se crê que há-de durar.
Quem já se viu contente e prosperado,
Vendo-se em breve tempo em pena tanta,
Razão tem de viver bem magoado;
Porém, quem tem o mundo experimentado,
Não o magoa a pena nem o espanta,
Que mal se estranhará o costumado.
Enquanto me enganava a esperança;
O coração, com esta confiança,
Todo se desfazia em desejar.
Oh! vão, caduco e débil esperar!
Como se desengana uma mudança!
Que, tanto é mor a bem-aventurança,
Tanto menos se crê que há-de durar.
Quem já se viu contente e prosperado,
Vendo-se em breve tempo em pena tanta,
Razão tem de viver bem magoado;
Porém, quem tem o mundo experimentado,
Não o magoa a pena nem o espanta,
Que mal se estranhará o costumado.
Luís de Camões
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