quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Palavra (?) - Se o Relvas diz que não houve pressão directa ou indirecta no saneamento de Nuno Santos, eu acredito, é claro.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

José Saramago - «Que quero eu? Primeiramente, não ser derrotado. Depois, se possível, vencer.» Manual de Pintura e Caligrafia

Caligrafado por H., protagonista-narrador, alter ego do autor. Romance de 1977, poderia dizer-se de estreia, não fora a falsa partida de Terra do Pecado (1947), trinta anos antes... e o recém-editado Clarabóia (a ausência do acento agudo, tentarei percebê-la quando, e se, o ler).
Para já importa-me assinalar que de cerca de meia dúzia de títulos, entre poesia, conto e crónica, se fazia a obra de Saramago. Em 77, ao 55 anos, este não era ainda, sendo-o, o Saramago. Faltavam três anos para que a sua perseverança desse os frutos pretendidos pela personagem H.:  com Levantado do Chão (1980) o futuro autor do Memorial do Convento não só deixara de correr o risco de ser um derrotado, como pisara o primeiro degrau para o triunfo. E este Manual, como os que lhe antecederam, foi um alicerce.
Retrato de Kisling (1915)
col. particular, Milão


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

números da crise - a venda de comerciais ligeiros recuou para números de finais da década de 1970 (lido aqui). Para mim não foram anos maus, mas remediados. Sempre doce e medíocremente apaziguado.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Os embaixadores israelitas em Londres e Paris foram chamados aos respectivos ministérios dos Estrangeiros. Em causa a má-fé de Netanyahu e do seu governo, ao anunciarem a construção de mais três mil colonatos nos territórios ocupados, depois da derrota diplomática estrondosa que foi o reconhecimento da Palestina como estado pela Assembleia-Geral da ONU. Como não acredito que esta acção não tenha sido concertada, inclusive com o conhecimento (quem sabe se com o incentivo...) da Administração Obama,  eu creio que está na hora de os amigos de Israel o defenderem de si próprio, enquanto é tempo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mansuetude - Das razões que motivam a luta dos estivadores: se é por não quererem a desregulação das relações de trabalho promovida por este governo de selvagens dos mercados & patifórios excretados pelos aparelhos partidários, eu acho bem; se for por dignidade profissional, pelo amor-próprio que não se deixa levar como gado para o matadouro, acho ainda melhor. Entretanto, um bom texto de Raquel Varela.
Auto-Retrato (1667)
Uffizi, Florença

The Trolley Song
Retrato do Cardeal Leopoldo de Medici
Uffizi, Florença

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Enfado - Conversa de manhã com extraordinário investigador. Deixou de ler jornais portugueses, compra o El Pais. Quem o pode censurar?
Seguro de vida - Se não estivéssemos na União Europeia, a tropa já teria saído dos quartéis.
De memória - A diferença entre entre os contos de Sophia de Mello Breyner para crianças e para adultos estará na perversidade que, et pour cause, os primeiros não têm. 
Os 75 anos do Zé Carioca, por Ruy Castro

terça-feira, 27 de novembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

«Operação Outono» -- filmes do Festival #10

Bruno de Almeida, «Operação Outono» (Portugal, 2012). «Selecção oficial -- Fora de competição».

Não sou um grande entusiasta deste tipo de reconstituições à la Oliver Stone, prefiro bons documentários. No entanto -- e apesar da desastrada dobragem de John Ventimiglia (Humberto Delgado), que em muito prejudica o filme --, não se dá por mal empregue tempo e dinheiro. 
O argumento baseia-se na biografia de Frederico Delgado Rosa, neto do general, que trouxe novos elementos para a cilada que foi montada. A grande personagem do filme, porém, não é Delgado, mas a PIDE, cuja caracterização me parece impecável (e para qual certamente muito contribuiu a assessoria da historiadora Irene Flunser Pimentel). O fosso classista é notório: dum lado a elite, os oficiais, gente que não sujava as mãos: Silva Pais, Barbieri Cardoso, entre outros, educados, bem vestidos, eventualmente bem cheirosos; do outro, o rebotalho social, de Rosa Casaco (muito bom papel de Carlos Santos) ao gebo Casimiro Monteiro (Pedro Efe). Pelo meio, talvez os mais repugnantes, os infiltrados, os traidores (Diogo Dória como Mário de Carvalho em grande estilo). 


Mighty Rearranger (2005)

sábado, 24 de novembro de 2012

Manuel da Fonseca -- Para mais, Zé Limão era um maltês e sabe-se lá que noite escura é o passado dessa gente!... -- «Névoa», Aldeia Nova

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Filmes do Festival #9 - «Amour», de Michael Haneke (França/Alemanha, 2012) -- «Selecção oficiial - Fora de competição». O amor à beira da morte; a morte que acaba com o amor, ou não. Trintignant e Riva, sublimes. Rita Blanco, em curto papel de porteira e criada, muito bem -- aliás, demasiado bem: uma cena em que aparece a aspirar, sem dizer uma palavra, só com muito boa vontade se encontra justificação para a economia do filme. De qualquer modo, o melhor que vi nesta sexta edição, que nem me correu lá muito bem.


...ao magnífico artigo de João Bernardo (2.ª, e 3.ª partes) no Passa Palavra:

Muito obrigado pelo seu artigo! Pela minha parte, vou divulgá-lo. E sim, por chocante que possa parecer, há uma franja de uma esquerda racista e anti-semita, em particular (e deixo de lado o nacionalismo). Cheguei, inclusivamente, a deslinkar (!) um blogue muito revolucionário, anti-imperialista e (na altura) nostálgico do sovietismo, enojado pela baixa linguagem anti-judaica, e que não se limitava à crítica das políticas do estado israelita. Não, aquilo cheirava a santo-ofício.
Mas também não sei porque diabo me choquei, quando o anti-semitismo, mais ou menos, assumido, foi algo que caracterizou o reinado do Zé Estaline.
«Carpet Crawl»
João de Barros - não há poeta, que o seja de nascença e de índole, que não proteste -- clara ou veladamente -- contra o presente, contra o imediato existente, quer se debruce sobre o passado, quer se volte para o futuro. Eugénio de Castro

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O que esteve para ser um artigo de revista, transformou-se num estudo de etnologia comparativa de mais largo fôlego, inusitado entre nós, creio, sobre o aparato piloso (ou a sua falta) que os homens (e algumas mulheres) ostentaram ao longo dos séculos. E tudo com o aparato crítico a que obriga tudo que se esvaia da pena dum erudito académico (no bom sentido).
José Leite de Vasconcelos tinha essa gravitas de sábio e também a obra. O homem que publicara o volume I das Religiões da Lusitânia em 1897 traria à colação nesta obra de 1923 uma referência cinematográfica, a propósito do bigodinho de Charlot...
A minha edição não é esta, mas a que foi reunida na colecção «Portugal de Perto» por João Leal, incluindo dois outros estudos: «Signum Salomonis» e «A Figa» (Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1996).
O desenho da capa desta primeira edição é de Teixeira Lopes.