sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Livros. Agora pelo Natal, à cata de presentes para oferecer, escaparates iluminados pelos livros da Nigella. Apeteceu-me trazê-los todos.

Reptilia

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ditados -- Passado o Natal, e entrando de novo no visco, o "Caso Artur Baptista da Silva", alegado burlão, só me trouxe à memória o adágio "Deus escreve direito por linhas tortas." Ponto final. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

White Christmas
[um poema inédito do meu amigo Fernando Jorge Fabião]

A LEITORA

I

O que sobra do que lês
e no interior da pele
anuncia o pavio cego da escrita?
o que permanece e gratamente invocas
no alvoroço do amor?

Como iluminar a face nua
das coisas
para usofruto exclusivo da atenção?
Feliz Natal!
Chris Harper

sábado, 22 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

É Natal, é Natal - O negócio para a TAP era óptimo, diz o Governo, mas suspendeu-o porque a isso foi obrigado. Obrigado. Neste emmeio, o PCP propõe a criação no Parlamento dum grupo de trabalho para acompanhamento do processo do (des)Acordo Ortográfico. Obrigado. Com tantos mimos, só pode ser Natal. 
asquerosa, à que se erguia, rebrilhando, em altos adejos, como se pretendesse romper a eterna submissão.
     Ao enxergar a abelha, quisera salvá-la, capturando-a para a devolver à vida e à liberdade, no Funchal. O estojo do perfume surgira como um recurso. Abrira-o, tirara-lhe o frasco e, devagarinho, colocara a sua parte inferior sobre ela, esperando que, ao sentir-se presa, se agarrase ao cartão. Não acontecera, porém, assim. Logo que ele retirara a caixa, a abelha voejara, sem rumo, pousa aqui, pousa ali, até se quedar numa das vigas do tecto. Beliche acima, distendendo os braços, perseguiu-a. Os esforços perdiam-se inutilmente. Ela fugia-lhe sempre, como se recusasse a vida que ele lhe oferecia e, contudo, fugia-lhe para viver. Ele encontrava-se já cansado e sem

Ferreira de Castro, Eternidade (1933), 14.ª edição, Lisboa, Guimarães Editores, 1989, p. 25, ls. 1-12.
Time To Pretend

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012



A má pessoa do ano, a propósito da Pessoa do Ano da Time  - Para eles, norte-americanos, e para nós. Quem mais houvera de ser?...
Claro que se a escolha incidisse sobre a má pessoa do ano, teria de ser o senhor doutor Bashar al-Assad que, de bom, só tem a mulher --, por mais tremeliques que nos provoquem os avanços das Al-Qaedas (da mesma forma que a travagem dos imigrantes oriundos da África Subsaariana se processou graças à vigilância do cão de guarda de que a Europa se serviu, o grotesco Kadafi).
Eu sei que os inimigos dos nossos inimigos nossos amigos s(er)ão -- referindo-me por inimigos à corja fundamentalista, não aos imigrantes, é claro --; mas, por deus, triste conforto, amaraga tranquilidade garantidos à custa do sofrimento alheio. 
Tapianca?
a capa da última Prog

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

era capaz de cumprir tudo quanto dizia, ao domingo, depois da missa, à porta do Valveses!
     Apesar do seu estado de espírito animoso, Manuel da Bouça ensombreceu de novo ao meter pelo carreiro aberto na relva, que ligava o aglomerado da aldeia à sua casa, solitária entre os campos. As preocupações e a força de vontade que vinha despendendo davam-lhe uma expressão fatigada e melancólica.
     Amélia, ao vê-loi atravessar a cancela, coxeando, perguntou, alvoroçada:
     -- Que tens? Que te aconteceu?
     -- Nada. Foi um espinho. Não é coisa de monta.

Ferreira de Castro, Emigrantes (1928), 24.ª ed., Lisboa, Guimarães Editores, 1988, p. 25, ls.1-12.
TAP. Não gosto de ser hiperbólico. Logo, com comedimento, direi que a privatização da TAP é um crime de lesa-pátria, e quem o viabilizar será cúmplice. Isto porque não gosto de ser hiperbólico; porque se o fosse falaria não em crime, mas em traição.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

missão britânica na Jugoslávia, major Deakin, estava no Cairo, fomos seus convidados num jantar íntimo.
     Do Cairo seguimos para a base inglesa de Habbaniya, perto de Bagdad. O comando britânico recusou-se a levar-nos até Bagdad, invocando a falta de segurança, mas nós tomámos esta atitude pelo desejo de ocultar um terrorismo colonial que julgávamos não ser menos drástico do que a ocupação alemã no nosso território. Em troca os ingleses convidaram-nos para uma festa desportiva efectuada pelos seus soldados. Fomos e verificámos que os nossos lugares eram vizinhos do do comandante. Tínhamos um aspecto estranho, mesmo aos nossos próprios olhos, cheios de

Milovan Djilas, Conversações com Estaline, trad. H. Silva Horta, Lisboa, Editora Ulisseia, 1962, p. 25, ls. 1-12.
Ain't Got No / I've Got life

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

mente» -- pensou. O zumbido voltara a sair do seu cortiço e a golpear a atmosfera rarefeita. Por muito que evocasse o carácter e os interesses deste e daquele adversário, Soriano não conseguia identificar quem dera a notícia, a tantos políticos atribuía espírito de intriga suficiente para o fazer. «Era uma corja, uma canalha!» Subitamente, sobressaltou-se: «Aquilo era uma canalhada que lhe faziam, para o entregar a Ballesteros, sem condições. Com aquilo pretendiam tirar-lhe a oportunidade de ele se fazer valer. Ballesteros estava, sem dúvida, por detrás dessa manobra. Mas enganava-se muito se pensava que ele se deixaria levar

Ferreira de Castro, A Curva da Estrada [1950], 11,ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1982, p. 25, ls. 1-12.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


curiosidades - Oito críticos do Expresso fizeram uma lista de 300 discos que toda a gente deve ouvir. Desses, tenho 14!... As listas valem o que valem, ou seja quase nada, mas dão gozo de ler e também de fazer.  
Na primeira, dos 100 escolhidos, aquelas gravações com aqueles intérpretes, fico-me por um (1) disco! Mas não é um disco qualquer, nããão!...: é o Llibre Vermell de Montserrat, pelo Hespèrion XX de Jordi Savall... Um disco que vale por cem...
Quanto ao jazz, subo para o impressionante número de quatro (4): um Cannonball Adderley, uma Ella Fitzgerald & Louis Armstrong, um Keith Jarrett, um Thelonious Monk...
A "popular", enfim, em que cabe tudo -- nem assim, hélas, chego à dezena... Beach Boys, Beatles, Captain Beefheart, Carlos Paredes, Leonard Cohen, Pink Floyd, Van Morrison e Velvet Underground.
Alguns não estariam na minha lista. As muitas músicas (e a música) que me interessam, estarão aqui, num blogue que tem dias.
A quem possa interessar.

absurdo - Tenho grande respeito e enorme admiração por dissidentes chineses como Ai Weiwei. Parece-me contudo -- se o que li está correcto -- muito censurável a sua crítica à atribuição do Nobel a Mo Yan (que não li) por nunca se ter dissociado do regime chinês... E depois? Alguém pode ser obrigado a ter uma atitude política?, alguém pode ser obrigado ao sacrifício? e que tem isso a ver com o valor literário da obra do autor distinguido? Se me disserem que os seus livros apelam à intolerância, à exclusão e à violência sobre terceiros, ao racismo, à xenofobia, seria o primeiro a subscrever a posição do grande artista chinês, pois o mal nunca pode (nunca deve) ser premiado. Não sendo assim, a atitude de Ai parece-me ser de uma intolerância pouco compatível com a liberdade.
Shine It All Around

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

     -- Ai de nós! -- choravam os habitantes -- não vamos dar mais passeios pelo mar nas noites de lua cheia, não vamos visitar mais as outras ilhas, não vamos fazer mais negócios.
     Mas os comerciantes sossegaram-nos.
     -- Durante estes anos -- disseram eles -- graças à nossa grande barca, andámos navegando de ilha em ilha, de porto em porto, a comprar e a vender e fizemos negócios tão bons que juntámos muito dinheiro. Por isso, como aqui não há outra árvore enorme, e as árvores que agora temos fazem muita falta se forem cor-

Sophia de Mello Breyner Andresen, A Árvore, 7.ª edição, Porto, Figueirinhas, 1995, p. 25, ls.1-12.
And You And I