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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

asquerosa, à que se erguia, rebrilhando, em altos adejos, como se pretendesse romper a eterna submissão.
     Ao enxergar a abelha, quisera salvá-la, capturando-a para a devolver à vida e à liberdade, no Funchal. O estojo do perfume surgira como um recurso. Abrira-o, tirara-lhe o frasco e, devagarinho, colocara a sua parte inferior sobre ela, esperando que, ao sentir-se presa, se agarrase ao cartão. Não acontecera, porém, assim. Logo que ele retirara a caixa, a abelha voejara, sem rumo, pousa aqui, pousa ali, até se quedar numa das vigas do tecto. Beliche acima, distendendo os braços, perseguiu-a. Os esforços perdiam-se inutilmente. Ela fugia-lhe sempre, como se recusasse a vida que ele lhe oferecia e, contudo, fugia-lhe para viver. Ele encontrava-se já cansado e sem

Ferreira de Castro, Eternidade (1933), 14.ª edição, Lisboa, Guimarães Editores, 1989, p. 25, ls. 1-12.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

era capaz de cumprir tudo quanto dizia, ao domingo, depois da missa, à porta do Valveses!
     Apesar do seu estado de espírito animoso, Manuel da Bouça ensombreceu de novo ao meter pelo carreiro aberto na relva, que ligava o aglomerado da aldeia à sua casa, solitária entre os campos. As preocupações e a força de vontade que vinha despendendo davam-lhe uma expressão fatigada e melancólica.
     Amélia, ao vê-loi atravessar a cancela, coxeando, perguntou, alvoroçada:
     -- Que tens? Que te aconteceu?
     -- Nada. Foi um espinho. Não é coisa de monta.

Ferreira de Castro, Emigrantes (1928), 24.ª ed., Lisboa, Guimarães Editores, 1988, p. 25, ls.1-12.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

mente» -- pensou. O zumbido voltara a sair do seu cortiço e a golpear a atmosfera rarefeita. Por muito que evocasse o carácter e os interesses deste e daquele adversário, Soriano não conseguia identificar quem dera a notícia, a tantos políticos atribuía espírito de intriga suficiente para o fazer. «Era uma corja, uma canalha!» Subitamente, sobressaltou-se: «Aquilo era uma canalhada que lhe faziam, para o entregar a Ballesteros, sem condições. Com aquilo pretendiam tirar-lhe a oportunidade de ele se fazer valer. Ballesteros estava, sem dúvida, por detrás dessa manobra. Mas enganava-se muito se pensava que ele se deixaria levar

Ferreira de Castro, A Curva da Estrada [1950], 11,ª edição, Lisboa, Guimarães & C.ª, 1982, p. 25, ls. 1-12.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ferreira de Castro - A sua voz parecia escorregar por um precipício, ao mesmo tempo urgente e tímida. - A Missão

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ferreira de Castro - O navio agora saía da barra: -- balouçava-se já sobre o crespo líquido do oceano.
E Cascaes, adormecida, vergastada pelo mar, dir-se-ia uma dessas povoações de pescadores que, vistas de noite, parecem cemitérios devastados. A Boca da Esfinge